-"Senhores, está aberta a sessão" -
Isto disse Dom Ratão,
Presidente da Assembleia
Dos ratinhos e ratões.
-"Quem tiver qualquer ideia
Que pretenda apresentar,
Faça favor de falar
Sem quaisquer hesitações.
Sabem todos a questão:
Há um gato, um mariolão
(E aqui baixou a voz
O prudente Dom Ratão),
Que anda a dar cabo de nós,
Sem qualquer contemplação;
Esta assembleia geral,
Que aqui mandei reunir,
Chamei-a para descobrir
Remédio para este mal.
Quem quer usar da palavra?"
Um ratão de qualidade
Pigarreou e disse assim:
-"Senhor Presidente, lavra
Nesta raça um tal desgaste,
Tão grande calamidade,
Que eu acho, na realidade
Ser-lhe urgente pôr-lhe fim!
Faz sentido que um gatito,
Um vulgaríssimo traste,
Apenas porque é expedito,
Tão subtil que não se sente,
Vá dando cabo da gente?
Não pode ser! Tenho dito."
Perguntou o presidente:
-"E o distinto orador,
Que com tanto brilho expõe,
Que remédio é que propõe?"
Diz o outro, com calor:
-"Entendo que é suficiente
Pôr ao pescoço do gato
Um chocalho bem estridente,
Que logo previna um rato
Da sua aproximação!
Que isto não tenha ocorrido
Até causa admiração!"
Gritam todos "Apoiado!",
Dando vivas ao Ratão,
Que sorri desvanecido;
Mas um ratinho - um gaiato -
Pergunta com ar mofino
E risinho descarado:
-"E quem é que põe o sino
Ao pescocinho do gato?..."
domingo, 10 de fevereiro de 2008
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