segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Opiniões polémicas


Tenho verificado que, uma minoria da comunicação social brasileira escrita, se entretém a inventar ‘estórias’ descabidas em relação aos portugueses, tentando denegrir a heroicidade de um povo que deu a conhecer mundos ao mundo e, pelos vistos, se acha inferiorizada, por terem sido os portugueses a fazer tal façanha.
Não sei com que intenções, mas sei que é grave a deformação da história de um povo.
Agora acabo de ler, num livro escolar, portanto destinado à educação dos jovens brasileiros, uma infinidade de fantasias escritas por um jornalista que tem a veleidade de chamar colega a Pero Vaz de Caminha, que como toda a gente sabe, foi escriba, jornalista, escritor, ou como lhe queiram chamar, que deu a notícia do descobrimento ou achamento da Ilha de Vera Cruz.
E a sua sandice vai ao ponto de o chamar mentiroso, cabra sem vergonha e bajulador , baseado em fatos que ele próprio inventou.
Ou não leu, ou interpretou mal a carta que Caminha enviou ao rei, pois ele não fala do Brasil com nenhuma indignidade, antes pelo contrário, até porque o Brasil só começou a ser chamado assim, a partir de 1527.
´E de estranhar que os autores do livro tenham deixado passar tamanha anomalia, chamando-a de ‘Opinião polémica’.
No entanto, essa opinião polémica lá está impressa, talvez no sentido de causar dúvidas.
Num outro livro da História do Brasil, fiquei a saber que foi Cristóvão Colombo  que apelidou de índios os povos do Brasil (?), porque julgou que tinha chegado à India, o que faz pensar que foi ele que descobriu (achou) o Brasil.

A mim pouco me interessa saber quem descobriu ou achou o Brasil. Sou português, estou casado com uma brasileira, o país é maravilhoso, sinto-me bem aqui, mas é sempre bom repor a verdade.

                                                  Fernando J

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Velhice


A velhice é uma fonte de sabedoria, pois é ao longo dos anos que vamos adquirindo conhecimentos.
Quem teve o privilégio de estudar a história da humanidade, verificará que os grandes nomes da ciência, atuais e antigos, são gente com uma idade avançada.
A sabedoria está em saber mudar as opiniões, que na altura eram consideradas corretas, por outras mais atualizadas, devidas a essa mesma sabedoria.
Assim o sábio não tem qualquer dificuldade em alterar as suas ideias, ao verificar que elas já não coincidem com a realidade, devido a múltiplos fatores. Tem a humildade suficiente para as retificar.
Já o obtuso não tem essa mesma inteligência e rege-se por ideias retrógradas, só pelo fato de não saber ou não querer admitir que está errado, vivendo assim numa ignorância total.
Até Galileu Galilei alterou as suas ideias, que eram as da época, afirmando que era a Terra que girava em torno do Sol e não o contrário. Por isso foi condenado por mentecaptos alcunhados de inteligentes.

                                      Fernando J

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Liberdade de expressão vs liberdade de pensamento


HÁ UMA CERTA TENDÊNCIA EM COMPARAR A LIBERDADE DE EXPRESSÃO COM LIBERDADE DE PENSAMENTO.
ORA UMA, NADA TEM A VER COM A OUTRA.
SENÃO, VEJAMOS; A LIBERDADE DE EXPRESSÃO, TANTO APREGOADA COMO UMA FORMA DE COMUNICAÇÃO SEM BARREIRAS SEM IMPOSIÇÕES DE QUALQUER MODO É, NA VERDADE, UMA LIBERDADE LIMITADA, UMA VEZ QUE ESTÁ SUJEITA A UMA SÉRIE DE RESTRIÇÕES IMPOSTAS PELAS LEIS VIGENTES, QUE NÃO PERMITEM EXPÔR AS IDEIAS QUE CONTRARIEM ESSAS LEIS.
E, PORTANTO, UMA LIBERDADE CONTROLADA.
NA LIBERDADE DE PENSAMENTO, NINGUÉM PODE IMPÔR BARREIRAS PORQUE, COMO DIZIA MANUEL FREIRE, NUMA DAS SUAS CANÇÕES, NÃO HÁ MACHADO QUE CORTE A RAIZ AO PENSAMENTO, PORQUE É LIVRE COMO O VENTO, PORQUE É LIVRE.
COMO SE VÊ, A DIFERENÇA É SIGNIFICATIVA.


                                          Fernando J

domingo, 26 de julho de 2015

A cenoura


Nos tempos que já lá vão, tinha eu 8/9 anos (oito ou nove anos, não confundam com 89), os habitantes das cidades eram abastecidos de frutas e hortaliças, através da boa vontade de burros (jumentos), cujos lavradores percorriam as casas, uma por uma, anunciando os seus produtos.
Não havia mercados,supermercados e muito menos televisão!
Ora, os burros, obedeciam ao comando do condutor (lavrador), através de uma cenoura, que era pendurada num pau e colocada mesmo na frente da boca do animal, mas de maneira a que ele não chegasse a abocanhá-la.
Assim, o dono movimentava a cenoura, no sentido que lhe interessava e o burro ia, com a boca aberta, tentando apanhar a dita.
Só lhe interessava a cenoura e nem percebia o que se passava ao lado, a não ser que ouvisse o zurrar de uma burra, que eles distinguiam perfeitamente. Aí o caso mudava de figura e esqueciam a cenoura, mesmo que os donos lhes dessem umas boas chibatadas no lombo.
Vem isto a propósito, ou a despropósito, do povo de qualquer nação que, na ânsia de atingirem a cenoura, por vezes bichada, seguem o condutor sem tomarem as devidas precauções!


                                       Fernando J

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Os avanços da ciência


É de espantar as descobertas científicas com que a televisão nos bombardeia diariamente!
O que antigamente era mau, agora é tudo bom: O peixe gordo, cujo óleo provocava problemas cardíacos, porque entupia as coronárias, agora é maravilhoso, porque as lubrifica.
Viva a sardinha!
A cafeína, um veneno para a pressão arterial, agora promove a proliferação de espermatozóides (?!) Vamos parar de beber café, porque o Brasil já tem gente a mais.
Já tenho visto pessoas que nunca beberam álcool, morrerem de cirrose no fígado e velhos muito bem conservados em cachaça.
Viva a cachaça!
Jóvens imberbes bem alimentados a leite, que morrem prematuramente, porque agora descobriram que o leite materno é que é bom. O outro (vaca, ovelha, cabra) é um veneno!
Não me admira que, qualquer dia, veja mães de 90 anos a dar de mamar a filhos de 70!
Viva o leite materno!
O chocolate, muito bom para o paladar, mas muito mau para a gordura, agora deve fazer parte da dieta para emagrecimento!
Viva o chocolate!
Qualquer dia falam dos benefícios do tabaco, pois há mais doentes com câncer nos pulmões entre os não fumantes, do que nos fumantes. Dizem que é da poluição atmosférica!
Viva o tabaco!
Descobriram que os carros podem ser movimentados a água da torneira, por reação química entre o oxigénio e o hidrogénio! Será que se esqueceram de me ensinar isso quando frequentei a escola?
E cadê o homem que fez a descoberta? Se for verdade, onde é que vamos pôr o "pitrólio"?
Viva eu, que tenho muito que aprender!


                   Fernando J

domingo, 28 de junho de 2015

Americanices


Há certas expressões curiosas que utilizamos diariamente, sem saber o seu significado original.
Por exemplo, a expressão "May day" utilizada como pedido de socorro, especialmente pela aviação, tem a sua origem na língua francesa "m'aidez", que quer dizer "me ajudem". Os americanos começaram a utilizá-la quando deixaram de usar o código Morse (SOS ...---...), por ser mais prático e, é claro, pronunciando à sua maneira. Assim, inventaram o "May Day".
Também a expressão "OK" (tudo certo), tem a sua origem na guerra da independência americana, quando os soldados, depois de uma batalha, se apresentavam aos comandantes relatando os acontecimentos: 0 killed (zero mortos), que abreviaram para OK (tudo bem, sem problemas).
Americanices que se impuseram a nível mundial!

                        Fernando J


quarta-feira, 4 de março de 2015

Tabacaria


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
            Fernando Pessoa