domingo, 26 de julho de 2015

A cenoura


Nos tempos que já lá vão, tinha eu 8/9 anos (oito ou nove anos, não confundam com 89), os habitantes das cidades eram abastecidos de frutas e hortaliças, através da boa vontade de burros (jumentos), cujos lavradores percorriam as casas, uma por uma, anunciando os seus produtos.
Não havia mercados,supermercados e muito menos televisão!
Ora, os burros, obedeciam ao comando do condutor (lavrador), através de uma cenoura, que era pendurada num pau e colocada mesmo na frente da boca do animal, mas de maneira a que ele não chegasse a abocanhá-la.
Assim, o dono movimentava a cenoura, no sentido que lhe interessava e o burro ia, com a boca aberta, tentando apanhar a dita.
Só lhe interessava a cenoura e nem percebia o que se passava ao lado, a não ser que ouvisse o zurrar de uma burra, que eles distinguiam perfeitamente. Aí o caso mudava de figura e esqueciam a cenoura, mesmo que os donos lhes dessem umas boas chibatadas no lombo.
Vem isto a propósito, ou a despropósito, do povo de qualquer nação que, na ânsia de atingirem a cenoura, por vezes bichada, seguem o condutor sem tomarem as devidas precauções!


                                       Fernando J

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