sábado, 4 de agosto de 2012

Amor

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

            Luis de Camões

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Poetas

Ai almas dos poetas
Não as entende ninguém,
São almas de violeta
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!

         Florbela Espanca

Fortaleza-Brasil


Numa das maravilhosas praias de Fortaleza

Ford Capri

  Ford Capri 2000 GTI. Fui o feliz proprietário de um do mesmo modelo e cilindrada, só que era amarelo
torrado, com tejadilho preto, coberto a vinil. Tropicalizado. Fabricado na Alemanha.
Corri com ele, sozinho, no recém inaugurado autódromo de Benguela, Angola,(1975) tendo chegado aos 220 Km/hora, mas o "bicho" queria mais, eu é que não!!! Tinha carburador duplo e até aos 160 km/hora, bebia 11,5 lts. de gasolina por cada 100 kms. percorridos. Além dos 160 km/hora, funcionavam os dois
carburadores e, aí ... desisti de fazer contas!


O Amor

O amor, quando se revela,
 Não se sabe revelar.
 Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
 Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
 E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
 Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
 Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
 O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
 Porque lhe estou a falar.

         Fernando Pessoa

Psicografia

O poeta é um fingidor.
 Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
 A dor que deveras sente.

 E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

 E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
 Esse comboio de corda
 Que se chama o coração.

        Fernando Pessoa

Lembras-te?

Lembras-te, amor?!
Foi num aeroporto qualquer,
No meio de tanta gente,
Que me estavas a esperar
E me ensinaste a sorrir?

Lembras-te, amor?!
Foi no caminho p’ra casa,
Que os nossos lábios se uniram
Que te apertei nos meus braços
E me ensinaste a viver?

Lembras-te, amor?!
Foi na tua bela casa,
Juntinhos na mesma cama,
Que nossos corpos se uniram
E me ensinaste a amar?

Lembras-te, amor?!
Na hora da despedida,
Uma fonte construída,
De água pura vertida
E me ensinaste a chorar?

Lembras-te, amor?!
Então ... não esqueças!

                 João Semana