quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Psicografia

O poeta é um fingidor.
 Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
 A dor que deveras sente.

 E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

 E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
 Esse comboio de corda
 Que se chama o coração.

        Fernando Pessoa

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