quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Ford Capri
Ford Capri 2000 GTI. Fui o feliz proprietário de um do mesmo modelo e cilindrada, só que era amarelo
torrado, com tejadilho preto, coberto a vinil. Tropicalizado. Fabricado na Alemanha.
Corri com ele, sozinho, no recém inaugurado autódromo de Benguela, Angola,(1975) tendo chegado aos 220 Km/hora, mas o "bicho" queria mais, eu é que não!!! Tinha carburador duplo e até aos 160 km/hora, bebia 11,5 lts. de gasolina por cada 100 kms. percorridos. Além dos 160 km/hora, funcionavam os dois
carburadores e, aí ... desisti de fazer contas!
torrado, com tejadilho preto, coberto a vinil. Tropicalizado. Fabricado na Alemanha.
Corri com ele, sozinho, no recém inaugurado autódromo de Benguela, Angola,(1975) tendo chegado aos 220 Km/hora, mas o "bicho" queria mais, eu é que não!!! Tinha carburador duplo e até aos 160 km/hora, bebia 11,5 lts. de gasolina por cada 100 kms. percorridos. Além dos 160 km/hora, funcionavam os dois
carburadores e, aí ... desisti de fazer contas!
O Amor
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar.
Fernando Pessoa
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar.
Fernando Pessoa
Psicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa
Lembras-te?
Lembras-te, amor?!
Foi num aeroporto qualquer,
No meio de tanta gente,
Que me estavas a esperar
E me ensinaste a sorrir?
Lembras-te, amor?!
Foi no caminho p’ra casa,
Que os nossos lábios se uniram
Que te apertei nos meus braços
E me ensinaste a viver?
Lembras-te, amor?!
Foi na tua bela casa,
Juntinhos na mesma cama,
Que nossos corpos se uniram
E me ensinaste a amar?
Lembras-te, amor?!
Na hora da despedida,
Uma fonte construída,
De água pura vertida
E me ensinaste a chorar?
Lembras-te, amor?!
Então ... não esqueças!
João Semana
domingo, 15 de julho de 2012
Redes sociais - A verdade e o mito
Hoje em dia toda a gente ouve falar de “redes sociais”. É raro encontrarmos alguém que não as utilize, pois se espalham como ervas daninhas pelas mais diferentes camadas sociais.
As cartas, os tradicionais encontros à mesa dos cafés e na residência dos amigos, os telefonemas dando notícias, foram substituídos pela simples frase “vai ao meu facebook”, que tem lá as fotos da minha ida à praia na semana passada, com quem fui, o que aconteceu, o que foi dito, as fofocas que fizemos, a roupa que vesti, etc.
Até os políticos, sempre oportunistas, já utilizam esse meio de comunicação para contactarem os eleitores e não só, apresentando ideias que sabem de ante-mão não puderem ser cumpridas.
E recebem centenas de comentários, que não lêem, pois o que interessa é a auto-promoção.
O mesmo acontece com os simples cidadãos, que sem pensarem nas consequências, deixam escapar fatos estritamente pessoais, que caiem nas mãos de pessoas menos esclarecidas, e que aproveitam a oportunidade para divulgar, deturpando, levando a situações desastrosas para os incautos.
Enfim, a internet, sendo um poderoso meio de comunicação, absolutamente indispensável nos dias de hoje é, ao mesmo tempo, um propagador de vírus maliciosos que se entranham nas mentes das pessoas que o utilizam.
É preciso saber distinguir “o trigo do joio”.
As redes sociais são muito úteis, se as soubermos utilizar com honestidade e inteligência. Podem captar amigos sinceros a muitos quilômetros de distância, promover encontros que, por vezes, acabam em casamento, mas também podem destruir esses mesmos casamentos.
É preciso ter em atenção, que os nossos amigos, a quem fazemos as nossas confidências, têm também amigos e esses amigos têm outros amigos, o que leva à situação de toda a gente ficar a saber o que julgávamos ser um segredo bem guardado.
Fernando J - 14.07.2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Balada da Neve
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
Augusto Gil
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