segunda-feira, 28 de julho de 2008
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Água de mar
Cadê você,
De olho água de mar,
Como marola o olhar,
Que me enrolava na areia
Em noite de lua cheia ...
Cadê você,
Que me beijava e corria,
Que chegava e se escondia,
Dando risada afinada
Ao tom de u'a madrugada ...
Cadê você, que deixou
Um travo de saudade no meu beijo,
Um amargo contato em meu carinho,
Um eco de tristeza em meu silêncio,
Um cheiro de distância em meu caminho ...
Cadê você?
Este poema e o anterior, são de autoria de
Mila Ramos
De olho água de mar,
Como marola o olhar,
Que me enrolava na areia
Em noite de lua cheia ...
Cadê você,
Que me beijava e corria,
Que chegava e se escondia,
Dando risada afinada
Ao tom de u'a madrugada ...
Cadê você, que deixou
Um travo de saudade no meu beijo,
Um amargo contato em meu carinho,
Um eco de tristeza em meu silêncio,
Um cheiro de distância em meu caminho ...
Cadê você?
Este poema e o anterior, são de autoria de
Mila Ramos
sábado, 19 de julho de 2008
Outono
... E lá me vem este amor
Na estação dos frutos sazonados ...
Um amor no Outono,
Em cores de Primavera,
Um amor do Inverno,
Muito terno,
E com cheiro de Verão ...
Ah! Coração!
Eu ganhei um amor
Com cheiro de Verão
E cores de Primavera ...
Ah! Coração!
Primavera ...
Quem me dera!
Na estação dos frutos sazonados ...
Um amor no Outono,
Em cores de Primavera,
Um amor do Inverno,
Muito terno,
E com cheiro de Verão ...
Ah! Coração!
Eu ganhei um amor
Com cheiro de Verão
E cores de Primavera ...
Ah! Coração!
Primavera ...
Quem me dera!
Rua da Liquidação
Se a noite é fria ou quente,
Não faz mal!
A Rua da Liquidação
Liquida a gente.
A noite é a vitrine,
A calçada, o balcão -
Onde o amor sem amor
Fecha a caixa do dia!
É o amor promoção,
Um amor sem depois,
Bem no género oferta
Pague um, leve dois.
É a Rua da Liquidação:
É gente a preço baixo,
Liquidando o amor ...
É o amor liquidando gente
A preço baixo ...
É o preço baixo
Liquidando o amor da gente
Na Rua da Liquidação,
Na noite fria ou quente ...
Mila Ramos
Não faz mal!
A Rua da Liquidação
Liquida a gente.
A noite é a vitrine,
A calçada, o balcão -
Onde o amor sem amor
Fecha a caixa do dia!
É o amor promoção,
Um amor sem depois,
Bem no género oferta
Pague um, leve dois.
É a Rua da Liquidação:
É gente a preço baixo,
Liquidando o amor ...
É o amor liquidando gente
A preço baixo ...
É o preço baixo
Liquidando o amor da gente
Na Rua da Liquidação,
Na noite fria ou quente ...
Mila Ramos
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Quando precisar de mim
Quando sentir vontade de chorar, não chore, pode chamar-me que eu choro por você.
Quando sentir vontade de sorrir, me avise, que eu venho para sorrirmos juntos.
Quando sentir vontade de amar, me avise, que eu venho amar você.
Quando sentir que está tudo acabado, me chame, que eu venho lhe ajudar a reconstruir.
Quando achar que o mundo é pequeno demais para sua tristeza,
me chame, que eu faço você ficar grande demais para a sua felicidade.
Quando precisar de companhia naqueles dias nublados e tristes,
me chame, que eu venho ficar com você.
Quando estiver precisando ouvir alguém dizer: "Eu tenho amizade por você",
me chame, que eu isso direi, a qualquer hora, em qualquer lugar, com sinceridade.
Quando não precisar mais de mim,
me diga, pois a minha Amizade por você é imensa... eterna,
mas mesmo assim, eu simplesmente irei embora.
Quando sentir vontade de sorrir, me avise, que eu venho para sorrirmos juntos.
Quando sentir vontade de amar, me avise, que eu venho amar você.
Quando sentir que está tudo acabado, me chame, que eu venho lhe ajudar a reconstruir.
Quando achar que o mundo é pequeno demais para sua tristeza,
me chame, que eu faço você ficar grande demais para a sua felicidade.
Quando precisar de companhia naqueles dias nublados e tristes,
me chame, que eu venho ficar com você.
Quando estiver precisando ouvir alguém dizer: "Eu tenho amizade por você",
me chame, que eu isso direi, a qualquer hora, em qualquer lugar, com sinceridade.
Quando não precisar mais de mim,
me diga, pois a minha Amizade por você é imensa... eterna,
mas mesmo assim, eu simplesmente irei embora.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
terça-feira, 15 de julho de 2008
Desejo-te ... tempo!
Não te desejo um presente qualquer,
Desejo-te somente aquilo que a maioria não tem.
Desejo-te tempo, para te divertires e para sorrir;
Desejo-te tempo para que os obstáculos sejam sempre superados
E muitos sucessos comemorados.
Desejo-te tempo, para planear e realizar,
Não só para ti, mas também para os outros.
Desejo-te tempo, não para teres pressa e correr,
Desejo-te tempo para te encontrares,
Desejo-te tempo, não só para passar ou vê-lo no relógio,
Desejo-te tempo, para que fiques;
Tempo para te encantares e tempo para confiares em alguém.
Desejo-te tempo para tocares as estrelas,
E tempo para crescer e amadurecer.
Desejo-te tempo para aprenderes e acertares,
Tempo para recomeçares, se fracassares...
Desejo-te tempo também para poderes voltar atrás e perdoar.
Desejo-te tempo, para teres novas esperanças e para amar.
Não faz mais sentido protelar.
Desejo-te tempo para seres feliz.
Para viveres cada dia, cada hora como um presente.
Desejo-te tempo, tempo para a vida.
Desejo-te tempo. Tempo. Muito tempo
Desejo-te somente aquilo que a maioria não tem.
Desejo-te tempo, para te divertires e para sorrir;
Desejo-te tempo para que os obstáculos sejam sempre superados
E muitos sucessos comemorados.
Desejo-te tempo, para planear e realizar,
Não só para ti, mas também para os outros.
Desejo-te tempo, não para teres pressa e correr,
Desejo-te tempo para te encontrares,
Desejo-te tempo, não só para passar ou vê-lo no relógio,
Desejo-te tempo, para que fiques;
Tempo para te encantares e tempo para confiares em alguém.
Desejo-te tempo para tocares as estrelas,
E tempo para crescer e amadurecer.
Desejo-te tempo para aprenderes e acertares,
Tempo para recomeçares, se fracassares...
Desejo-te tempo também para poderes voltar atrás e perdoar.
Desejo-te tempo, para teres novas esperanças e para amar.
Não faz mais sentido protelar.
Desejo-te tempo para seres feliz.
Para viveres cada dia, cada hora como um presente.
Desejo-te tempo, tempo para a vida.
Desejo-te tempo. Tempo. Muito tempo
quinta-feira, 10 de julho de 2008
A Família
Alguém disse, um dia, que a Família é como um forte inexpugnável, onde nos refugiamos, quando somos atacados pelas dificuldades da vida e onde vamos buscar compreensão, carinho e amor.
A Família é (ou era), assim como que um ninho que novamente nos acolhia, quando quebrávamos as asas e era preciso consertá-las.
Hoje, verifico com tristeza, que a Família se desmembra quando qualquer contrariedade se instala no “forte”, que a união já não é o que era, que se desfaz com a maior facilidade.
Saímos de casa, porque julgamos que já sabemos tudo, que estamos preparados para a vida, que os avisos dos “velhos” não têm razão de ser.
Somos novos, independentes, fazemos o que queremos, enfim ... temos liberdade.
Mas a liberdade é uma faca de dois gumes. Temos que saber usá-la e isso devemos aprender com os “velhos”.
Mas não, para quê ouvir conselhos, se nós já sabemos tudo. Para quê escutar os pais, se eles falam do passado e o passado já não existe.
Para quê nos preocuparmos com o futuro? Vamos viver o presente, a vida é bela e tudo é um mar de rosas.
O pior é quando aparecem os espinhos! Aí, lembramo-nos da Família e dos conselhos que não acatámos. E lembramo-nos que nos disseram que a vida tem escolhos, por vezes, mais tristezas que alegrias,
E tentamos refugiar-nos no nosso ninho, que, por vezes, já não existe.
Já é tarde demais.
Sim ... é tarde demais e o tempo passou ... correndo!
Fernando J
A Família é (ou era), assim como que um ninho que novamente nos acolhia, quando quebrávamos as asas e era preciso consertá-las.
Hoje, verifico com tristeza, que a Família se desmembra quando qualquer contrariedade se instala no “forte”, que a união já não é o que era, que se desfaz com a maior facilidade.
Saímos de casa, porque julgamos que já sabemos tudo, que estamos preparados para a vida, que os avisos dos “velhos” não têm razão de ser.
Somos novos, independentes, fazemos o que queremos, enfim ... temos liberdade.
Mas a liberdade é uma faca de dois gumes. Temos que saber usá-la e isso devemos aprender com os “velhos”.
Mas não, para quê ouvir conselhos, se nós já sabemos tudo. Para quê escutar os pais, se eles falam do passado e o passado já não existe.
Para quê nos preocuparmos com o futuro? Vamos viver o presente, a vida é bela e tudo é um mar de rosas.
O pior é quando aparecem os espinhos! Aí, lembramo-nos da Família e dos conselhos que não acatámos. E lembramo-nos que nos disseram que a vida tem escolhos, por vezes, mais tristezas que alegrias,
E tentamos refugiar-nos no nosso ninho, que, por vezes, já não existe.
Já é tarde demais.
Sim ... é tarde demais e o tempo passou ... correndo!
Fernando J
O coração de uma mãe
Eu acredito
que o coração de uma mãe
sangre dentro do seu peito
e que lágrimas bebidas
muitas vezes façam feridas
e deixem marcas também.
Eu acredito
que o coração de uma mãe
é grande, é comovido
mas, no silêncio da dor,
quase rebente de amor
e permaneça escondido.
Mas ...
Eu acredito também
que o coração de uma mãe
em momentos de alegria
desenrola como a corda
e, como a água, transborda
e todo o rosto sorria.
Isabel Aresta
que o coração de uma mãe
sangre dentro do seu peito
e que lágrimas bebidas
muitas vezes façam feridas
e deixem marcas também.
Eu acredito
que o coração de uma mãe
é grande, é comovido
mas, no silêncio da dor,
quase rebente de amor
e permaneça escondido.
Mas ...
Eu acredito também
que o coração de uma mãe
em momentos de alegria
desenrola como a corda
e, como a água, transborda
e todo o rosto sorria.
Isabel Aresta
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Vida diferente
Gostava de ser cigana ...
desprendida, despojada
andando, no campo, ao vento
a "casa" sempre arrumada
a roupa sempre "lavada"
não ter lugar, nem assento.
Gostava de ser cigana ...
minha Pátria, a natureza,
minha cama, uma manta,
"meu" Banco, caixa de lata,
não ter grades, não estar presa
não ter ouro, não ter prata.
Gostava de ser cigana ...
nem que fosse por um dia
era minha essa opção
experimentar ser "Raínha"
p'ra sentir a sensação
de saber que nada tinha!
Isabel Aresta
desprendida, despojada
andando, no campo, ao vento
a "casa" sempre arrumada
a roupa sempre "lavada"
não ter lugar, nem assento.
Gostava de ser cigana ...
minha Pátria, a natureza,
minha cama, uma manta,
"meu" Banco, caixa de lata,
não ter grades, não estar presa
não ter ouro, não ter prata.
Gostava de ser cigana ...
nem que fosse por um dia
era minha essa opção
experimentar ser "Raínha"
p'ra sentir a sensação
de saber que nada tinha!
Isabel Aresta
Hoje
Hoje, eu queria a altivez da onda
o brilho do sol,
a imponência da montanha,
a vastidão do mar ...
Tudo isso, e tu me notarias?
Hoje, eu queria a suavidade do regato,
a carícia do vento,
a maciez da núvem,
a ternura da lua ...
Tudo isso, e tu me sentirias?
Hoje, eu queria a doçura do mel,
a beleza da flor,
a meiguice do pássaro,
o calor do verão findando,
Tudo isso, e tu me aceitarias?
Hoje, eu me queria assim,
terna e romântica,
altiva e luminosa,
suave e morna ...
Tudo isso, e tu me amarias?
Mila Ramos
o brilho do sol,
a imponência da montanha,
a vastidão do mar ...
Tudo isso, e tu me notarias?
Hoje, eu queria a suavidade do regato,
a carícia do vento,
a maciez da núvem,
a ternura da lua ...
Tudo isso, e tu me sentirias?
Hoje, eu queria a doçura do mel,
a beleza da flor,
a meiguice do pássaro,
o calor do verão findando,
Tudo isso, e tu me aceitarias?
Hoje, eu me queria assim,
terna e romântica,
altiva e luminosa,
suave e morna ...
Tudo isso, e tu me amarias?
Mila Ramos
Dia a dia
Meu dia a dia
É tentar não te perder.
Meu sonho é ter-te
No carinho de minhas mãos,
Na ternura de mim.
E dar-te meu beijo
No enrolar de um abraço,
Dar-te meu sonho bom ...
Meu sonho é ter-te
Meu pesadelo, perder-te.
Minha entrega é tranquila,
Mesmo quando gotejas em mim
Um amor reticente, hesitante,
Misto de momentos de ternura infinita,
Ou de um displicente deixar-se amar ...
Meu sonho é ter-te,
Meu pesadelo, perder-te.
Mila Ramos
É tentar não te perder.
Meu sonho é ter-te
No carinho de minhas mãos,
Na ternura de mim.
E dar-te meu beijo
No enrolar de um abraço,
Dar-te meu sonho bom ...
Meu sonho é ter-te
Meu pesadelo, perder-te.
Minha entrega é tranquila,
Mesmo quando gotejas em mim
Um amor reticente, hesitante,
Misto de momentos de ternura infinita,
Ou de um displicente deixar-se amar ...
Meu sonho é ter-te,
Meu pesadelo, perder-te.
Mila Ramos
Simplesmente
Gosto de ti, simplesmente!
Gosto de ti,
Não me perguntes por quê,
Eu sei lá deste querer?
Gosto de ti quando falas,
Cheio de graça, engraçado,
Cheio de mal, malcriado
Gosto de ti quando ralhas,
Quando prometes e falhas,
Meio sem jeito, sei lá ...
Gosto de ti quando calas,
Cheio de dengo, dengoso,
Tão suave, carinhoso ...
Gosto de ti!
Não me perguntes por quê ...
Meu coração é que sente,
Gosto de ti, simplesmente!
Mila Ramos
Gosto de ti,
Não me perguntes por quê,
Eu sei lá deste querer?
Gosto de ti quando falas,
Cheio de graça, engraçado,
Cheio de mal, malcriado
Gosto de ti quando ralhas,
Quando prometes e falhas,
Meio sem jeito, sei lá ...
Gosto de ti quando calas,
Cheio de dengo, dengoso,
Tão suave, carinhoso ...
Gosto de ti!
Não me perguntes por quê ...
Meu coração é que sente,
Gosto de ti, simplesmente!
Mila Ramos
Muito comum
Gosto das coisas comuns!
De mar, de sol, de lua,
De andar descalça pela rua,
De jogar paciência no tapete ...
De olhar a chuva que respinga na vidraça
E decifrar a figura que a gotinha traça ...
De toalha branca em mesa posta,
Quem não gosta?
De música e poesia,
De ficar sozinha,
Pensar e ter saudade,
De estar com gente
Que é gente de verdade ...
De remexer em aparelho enguiçado,
De resolver problema complicado ...
Gosto da carta que logo tem resposta,
Quem não gosta?
Gosto das coisas comuns!
Gosto de margaridas no jardim,
Gosto de ipê florindo na janela,
De um papo gostoso à luz de vela,
De ouvir rádio, ler jornal,
De banda desfilando, carnaval ...
Gosto do abraço que me enrosca,
Gosto do rosto que o meu rosto encosta.
Quem não gosta?
Gosto das coisas comuns ...
De incomum, só gosto de você!
Mila Ramos
De mar, de sol, de lua,
De andar descalça pela rua,
De jogar paciência no tapete ...
De olhar a chuva que respinga na vidraça
E decifrar a figura que a gotinha traça ...
De toalha branca em mesa posta,
Quem não gosta?
De música e poesia,
De ficar sozinha,
Pensar e ter saudade,
De estar com gente
Que é gente de verdade ...
De remexer em aparelho enguiçado,
De resolver problema complicado ...
Gosto da carta que logo tem resposta,
Quem não gosta?
Gosto das coisas comuns!
Gosto de margaridas no jardim,
Gosto de ipê florindo na janela,
De um papo gostoso à luz de vela,
De ouvir rádio, ler jornal,
De banda desfilando, carnaval ...
Gosto do abraço que me enrosca,
Gosto do rosto que o meu rosto encosta.
Quem não gosta?
Gosto das coisas comuns ...
De incomum, só gosto de você!
Mila Ramos
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Noite
Noites africanas langorosas, esbatidas em luares..., perdidas em mistérios...
Há cantos de tungurúluas pelos ares!... ..........................................................................
Noites africanas endoidadas, onde o barulhento frenesi das batucadas, põe tremores nas folhas dos cajueiros... ..........................................................................
Noites africanas tenebrosas..., povoadas de fantasmas e de medos, povoadas das histórias de feiticeiros que as amas-secas pretas, contavam aos meninos brancos...
E os meninos brancos cresceram, e esqueceram as histórias...
Por isso as noites são tristes...
Endoidadas, tenebrosas, langorosas, mas tristes... como o rosto gretado, e sulcado de rugas, das velhas pretas... como o olhar cansado dos colonos, como a solidão das terras enormes mas desabitadas...
É que os meninos brancos..., esqueceram as histórias, com que as amas-secas pretas os adormeciam, nas longas noites africanas...
Os meninos-brancos... esqueceram
Alda Lara
Há cantos de tungurúluas pelos ares!... ..........................................................................
Noites africanas endoidadas, onde o barulhento frenesi das batucadas, põe tremores nas folhas dos cajueiros... ..........................................................................
Noites africanas tenebrosas..., povoadas de fantasmas e de medos, povoadas das histórias de feiticeiros que as amas-secas pretas, contavam aos meninos brancos...
E os meninos brancos cresceram, e esqueceram as histórias...
Por isso as noites são tristes...
Endoidadas, tenebrosas, langorosas, mas tristes... como o rosto gretado, e sulcado de rugas, das velhas pretas... como o olhar cansado dos colonos, como a solidão das terras enormes mas desabitadas...
É que os meninos brancos..., esqueceram as histórias, com que as amas-secas pretas os adormeciam, nas longas noites africanas...
Os meninos-brancos... esqueceram
Alda Lara
Testamento
À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhamdo algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua ...
Alda Lara
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhamdo algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua ...
Alda Lara
Rumo
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz Da Terra ...
Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco, a mesma Terra nos gerou!
Vamos, companheiro ...
É tempo!
Que o meu coração se abra à mágoa das tuas mágoas e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam para estreitar com amor as tuas longas mãos negras ...
E o meu suor se junte ao teu suor, quando rasgarmos os trilhos de um mundo melhor!
Vamos! que outro oceano nos inflama.. .
Ouves?
É a Terra que nos chama ...
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...
Alda Lara - Poetisa benguelense
Caminhemos ...
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz Da Terra ...
Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco, a mesma Terra nos gerou!
Vamos, companheiro ...
É tempo!
Que o meu coração se abra à mágoa das tuas mágoas e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam para estreitar com amor as tuas longas mãos negras ...
E o meu suor se junte ao teu suor, quando rasgarmos os trilhos de um mundo melhor!
Vamos! que outro oceano nos inflama.. .
Ouves?
É a Terra que nos chama ...
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...
Alda Lara - Poetisa benguelense
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