De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando ...
A certeza de que precisamos continuar ...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar ...
Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo ...
Da queda um passo de dança ...
Do medo, uma escada ...
Do sonho, uma ponte ...
Da procura, um encontro ...
Fernando Pessoa
segunda-feira, 18 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Quando eu morrer
Dedicado a Mário de Sá-Carneiro
Quando eu morrer,
Soltem gargalhadas
E batam palmas sem parar.
Que se façam os sinos tocar
Mas em desconexas badaladas.
Que se contem anedotas apimentadas
E se faça chacota do meu ar.
Sobre o caixão ponham licor para eu tomar
E algumas mortalhas para serem fumadas.
Quando eu morrer,
Digam nomes ordinários
E façam os outros de otários
Rebolando no chão sempre a rir.
Quando eu morrer,
Rebentem balões,
Dêem pinotes e trambolhões
E fiquem com nódoas negras de tanto cair.
Lígia Laginha
Quando eu morrer,
Soltem gargalhadas
E batam palmas sem parar.
Que se façam os sinos tocar
Mas em desconexas badaladas.
Que se contem anedotas apimentadas
E se faça chacota do meu ar.
Sobre o caixão ponham licor para eu tomar
E algumas mortalhas para serem fumadas.
Quando eu morrer,
Digam nomes ordinários
E façam os outros de otários
Rebolando no chão sempre a rir.
Quando eu morrer,
Rebentem balões,
Dêem pinotes e trambolhões
E fiquem com nódoas negras de tanto cair.
Lígia Laginha
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Cantiga da Ribeirinha
Foi o primeiro texto publicado em português
No mundo nom me sai parelha,
mentre me for'como me vai,
cá ja moiro por vos - e ai
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi en saia!
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, des aquel di'ai!
me foi a mi muin mal,
e vos, filha de dom Paai
Moniz, e bem vus semelha
d'aver eu por vos guarvaia,
pois eu, mia senhor, d'alfaia
nunca de vos ouve nem ei
valia d'ua correa ...
Paio Soares de Taveirós
No mundo nom me sai parelha,
mentre me for'como me vai,
cá ja moiro por vos - e ai
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi en saia!
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, des aquel di'ai!
me foi a mi muin mal,
e vos, filha de dom Paai
Moniz, e bem vus semelha
d'aver eu por vos guarvaia,
pois eu, mia senhor, d'alfaia
nunca de vos ouve nem ei
valia d'ua correa ...
Paio Soares de Taveirós
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Canção do Exílio
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorgeiam,
Não gorgeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida tem mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá,
Em cismar sozinho à noite,
Mais prazer encontro eu lá.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá,
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá,
Sem qu'inda aviste as palmeiras
Onde canta o sabiá.
Gonçalves Dias-Coimbra, Julho de 1843
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorgeiam,
Não gorgeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida tem mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá,
Em cismar sozinho à noite,
Mais prazer encontro eu lá.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá,
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá,
Sem qu'inda aviste as palmeiras
Onde canta o sabiá.
Gonçalves Dias-Coimbra, Julho de 1843
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
FERNANDO
Podes ouvir os tambores, Fernando?
Lembro-me, há bastante tempo, de uma noite estrelada como esta
À luz da lua, Fernando.
Tu eras rude para ti e suave dedilhando a tua guitarra!
Eu podia ouvir os tambores distantes
E os sons das cordas vindos da distancia.
Eles estavam mais perto agora, Fernando.
Cada hora, cada minuto, parecia uma eternidade.
Eu estava com tanto medo, Fernando.
Nós éramos novos e cheios de vida e nenhum e nós preparado para morrer.
E não tenho vergonha de dizer,
Os rugidos das armas e dos canhões quase me faziam chorar.
Havia alguma coisa no ar naquela noite.
As estrelas estavam brilhando, Fernando.
Estavam ali brilhando para ti e para mim.
Pela liberdade, Fernando!
Embora eu nunca pensasse que poderíamos perder,
Não tenho tristeza.
Se eu tivesse que fazer o mesmo outra vez,
Eu faria, meu amigo, Fernando
Agora estamos velhos e grisalhos, Fernando.
E, desde há muitos anos, eu não vejo uma espingarda nas tuas mãos!
Podes ouvir os tambores, Fernando?
Tu ainda voltarias à horrível noite em que cruzámos o Rio Grande?
Eu posso ver isso nos teus olhos.
Como estavas orgulhoso combatendo pela liberdade desta terra!
Havia alguma coisa no ar naquela noite.
As estrelas estavam brilhando, Fernando.
Estavam ali brilhando para ti e para mim.
Pela liberdade Fernando!
Embora eu nunca pensasse que poderíamos perder,
Não tenho tristeza.
Se eu tivesse que fazer o mesmo outra vez,
Eu faria, meu amigo, Fernando.
Havia alguma coisa no ar naquela noite.
As estrelas estavam brilhando, Fernando.
Estavam ali brilhando para ti e para mim.
Pela liberdade, Fernando!
Embora eu nunca pensasse que poderíamos perder,
Não tenho tristeza.
Se eu tivesse que fazer o mesmo outra vez,
Eu faria, meu amigo, Fernando.
Se eu tivesse que fazer o mesmo outra vez,
Eu faria, meu amigo, Fernando ...
Tradução livre da canção "Fernando" dos Abba.
Lembro-me, há bastante tempo, de uma noite estrelada como esta
À luz da lua, Fernando.
Tu eras rude para ti e suave dedilhando a tua guitarra!
Eu podia ouvir os tambores distantes
E os sons das cordas vindos da distancia.
Eles estavam mais perto agora, Fernando.
Cada hora, cada minuto, parecia uma eternidade.
Eu estava com tanto medo, Fernando.
Nós éramos novos e cheios de vida e nenhum e nós preparado para morrer.
E não tenho vergonha de dizer,
Os rugidos das armas e dos canhões quase me faziam chorar.
Havia alguma coisa no ar naquela noite.
As estrelas estavam brilhando, Fernando.
Estavam ali brilhando para ti e para mim.
Pela liberdade, Fernando!
Embora eu nunca pensasse que poderíamos perder,
Não tenho tristeza.
Se eu tivesse que fazer o mesmo outra vez,
Eu faria, meu amigo, Fernando
Agora estamos velhos e grisalhos, Fernando.
E, desde há muitos anos, eu não vejo uma espingarda nas tuas mãos!
Podes ouvir os tambores, Fernando?
Tu ainda voltarias à horrível noite em que cruzámos o Rio Grande?
Eu posso ver isso nos teus olhos.
Como estavas orgulhoso combatendo pela liberdade desta terra!
Havia alguma coisa no ar naquela noite.
As estrelas estavam brilhando, Fernando.
Estavam ali brilhando para ti e para mim.
Pela liberdade Fernando!
Embora eu nunca pensasse que poderíamos perder,
Não tenho tristeza.
Se eu tivesse que fazer o mesmo outra vez,
Eu faria, meu amigo, Fernando.
Havia alguma coisa no ar naquela noite.
As estrelas estavam brilhando, Fernando.
Estavam ali brilhando para ti e para mim.
Pela liberdade, Fernando!
Embora eu nunca pensasse que poderíamos perder,
Não tenho tristeza.
Se eu tivesse que fazer o mesmo outra vez,
Eu faria, meu amigo, Fernando.
Se eu tivesse que fazer o mesmo outra vez,
Eu faria, meu amigo, Fernando ...
Tradução livre da canção "Fernando" dos Abba.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Subscrever:
Mensagens (Atom)


