Manuel Maria Barbosa du Bocage, poeta setubalense, é mais conhecido pelas anedotas "porcas" que nunca contou, nem disso teve conhecimento.
Era também conhecido por "Elmano sadino", o eterno apaixonado.
Aqui deixo um soneto, esse sim, de sua autoria, que demonstra os seus elevados sentimentos:
Da miseranda Inês, o caso triste.
Nos tristes sons, que a mágoa desafina,
Envia o terno Elmano à terna Ulina
Em cujos olhos seu prazer consiste.
Paixão que, se a sentir, não lhe resiste,
Nem nos brutos sertões alma ferina,
Beleza funestou quase divina,
De que a memória, em lágrimas, existe.
Lê, suspira, meu bem, vendo um composto
De raras perfeições aniquilado
Por mãos do Crime à Natureza oposto.
Tu és cópia de Inês, encanto amado,
Tu tens seu coração, tu tens seu rosto ...
Ah!, defendam-te os Céus de ter seu fado.
sábado, 29 de março de 2008
terça-feira, 11 de março de 2008
Carlos Drummond de Andrade
Só os verdadeiros gênios, como Drummond, são capazes de fazer com simplicidade algo assim tão genial !!!
Em um momento de descontracção, o grande poeta Carlos Drumond de Andrade escreveu:
"Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos. Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci. Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão. Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite. Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo. Só assim, livrar-me-ei de ti, mosquito Filho da Puta!"
Em um momento de descontracção, o grande poeta Carlos Drumond de Andrade escreveu:
"Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos. Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci. Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão. Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite. Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo. Só assim, livrar-me-ei de ti, mosquito Filho da Puta!"
domingo, 2 de março de 2008
O meu desejo
Vejo-te só a ti no azul dos céus,
Olhando a nuvem de oiro que flutua...
Ó minha perfeição que criou Deus
E que num dia lindo me fez sua!
Nos altos que diviso pela rua,
Que cruzam os seus passos com os meus...
Minha boca tem fome só da tua!
Meus olhos têm sede só dos teus!
Sombra da tua sombra, doce e calma,
Sou a grande quimera da tua alma
E, sem viver, ando a viver contigo...
Deixa-me andar assim no teu caminho
Por toda a vida, Amor, devagarinho,
Até a morte me levar consigo...
Florbela Espanca
Olhando a nuvem de oiro que flutua...
Ó minha perfeição que criou Deus
E que num dia lindo me fez sua!
Nos altos que diviso pela rua,
Que cruzam os seus passos com os meus...
Minha boca tem fome só da tua!
Meus olhos têm sede só dos teus!
Sombra da tua sombra, doce e calma,
Sou a grande quimera da tua alma
E, sem viver, ando a viver contigo...
Deixa-me andar assim no teu caminho
Por toda a vida, Amor, devagarinho,
Até a morte me levar consigo...
Florbela Espanca
Amo
Amo o vento que nos estimula quando brinca entre os seus cabelos,quando você se torna bailarina para segui-lo com passos graciosos. Amo quando corre radiosa para jogar-se nos meus braços,quando se torna pequena, pequena, para se sentar sobre os meus joelhos. Amo o sol que se põe,quando se deita lentamente,mas amo esperar crédulo que para nós ele se inflamará. Amo a sua mão que me tranquiliza, quando me perco no meio do escuro,e a sua voz parece o murmúrio da nascente da esperança. Amo quando seus olhos de bruma me encobrem com sua doçura e, como num travesseiro de plumas, a minha testa pousa sobre seu coração.
Era Salvatore Adamo que cantava. Lembram-se?
Era Salvatore Adamo que cantava. Lembram-se?
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